Mariana


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Para isso é preciso rodar a pé tranquilamente pelas ruas dessa que foi a primeira cidade e a primeira capital de Minas Gerais, com suas ladeiras cheias de história moldada a ouro, fé, cobiça, tristeza e glória.

Em 1696 bandeirantes comandados por Coronel Salvador Fernandes Furtado acamparam nas margens do Ribeirão do Carmo e, percebendo a existência de ouro, decidiram se fixar. Em 1745 a Vila Ribeirão do Carmo foi elevada à categoria de cidade com o nome de Mariana, uma homenagem de Dom João V a sua mulher Maria Ana d’Áustria.
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A partir daí aumentaram consideravelmente o casario, as igrejas e outras construções produzidas sob a inspiração do barroco seiscentista português durante o ciclo do ouro e que hoje está impregnado nas pinturas, esculturas, arquitetura e mobiliário da cidade, grande parte obras de Francisco Xavier de Brito, Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho) e Mestre Atayde, além de impressos na poesia de Alphonsus de Guimaraens, que foi juiz da cidade.

A maneira mais interessante para chegar a Mariana é com a Maria Fumaça que recompõe o trajeto de 18 km vindo de Ouro Preto. Uma verdadeira volta ao tempo em quase uma hora passando por cachoeiras, matas e pequenos povoados.

Da antiga estação ferroviária começa o trajeto pelas igrejas e monumentos históricos. Os três pontos turísticos principais formam um triângulo: no alto, a igreja São Pedro dos Clérigos; do lado direito, a Praça Minas Gerais e, à esquerda, a igreja da Sé.
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O fato de ter sido uma cidade planejada (única entre as coloniais mineiras) permite circular com facilidade por Mariana. Duas paralelas (Frei Durão e Dom Silvério) limitam a parte histórica em sua quase totalidade.

Comece o passeio pela rua Direita, em que cada construção tem uma história para contar até chegar à igreja da Sé, com o belíssimo órgão alemão recepcionando os fiéis. Continue a rota subindo pela rua Frei Durão e se perdendo pelos casarões antigos e pelo cotidiano da pacata cidade. No caminho, logo após a bucólica praça Gomes Freire, com seu coreto, entre na rua do Seminário e vá para o Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Ouro Preto, onde funcionava o antigo seminário menor. Atravesse para os fundos, cheio de árvores e estudantes e saia no antigo Palácio dos Bispos. De lá, uma ladeira leva ao seminário maior, o São José, com um grande e bem cuidado jardim de altas palmeiras.

Continue a caminhada até a igreja de São Pedro dos Clérigos e terá a melhor visão da cidade do alto da torre do sino. Chegar a esta igreja é sentir-se no topo da cidade, e vale ficar um tempo para apreciar a bela vista dos morros que circundam Mariana, encravada entre as montanhas e observar a profusão de cruzes das dezenas de igrejas da cidade.
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A partir daí começa a volta, não menos interessante e cheia de surpresas. O ponto alto da descida pela rua Dom Silvério é a Praça Minas Gerais, formada pela Casa de Câmara, antiga cadeia, pelourinho e as igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo.

Entregue-se calmamente pela cidade de 50 mil habitantes e, se puder, faça uma visita também aos distritos, como Passagem de Mariana, onde há a maior mina de ouro aberta à visitação, ou Brumado, com a cachoeira para refrescar do verão mineiro. Os mais aventureiros também podem se embrenhar no Parque Nacional do Itacolomi, que, com suas dezenas de trilhas, mostra que Mariana tem opções variadas para todos os gostos.

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