Serra Gaúcha


serragaucha (1)
Na Serra do Rio Grande do Sul a neve pode tardar ou falhar, mas o frio se faz presente no inverno, primavera, verão e outono.

COTIPORÃ

Os índios guaranis já sabiam, “Coti” é um lugar, casa “porá”, bonito, município de extrema beleza, formado entre elevações feito uma pedra rara, por isso é conhecido como “ A jóia da Serra Gaúcha”. Possui um grande potencial turístico, refletido na qualidade de seus atrativos, na sua cultura, nas belezas naturais, nas suas formas de “cidade antiga” e na simplicidade e arte de seus moradores.

Em homenagem à região da Itália, de onde vieram a maioria dos moradores, chamou-se primeiramente de Monte Vêneto, nome este trocado durante a Segunda Guerra Mundial, quando os imigrantes foram perseguidos e tiveram de esconder suas raízes.

Cotiporã é um município bastante novo, teve sua emancipação em 12 de maio de 1982, possui 3.917 habitantes, e tem como base de sua economia a agricultura.

Esta maravilhosa cidade destaca-se por possuir qualidades suficientes para desenvolver diversos segmentos turísticos, como o turismo religioso, turismo de aventura, turismo ecológico e turismo de compras.
Mesmo em janeiro, em Gramado, a 110 km de Porto Alegre, a temperatura à noite pode baixar de 10º C. E com o frio se mantêm, nas quatro estações, os apelos para prolongar o prazer: o vinho e as copiosas refeições herdadas de colonos italianos e alemães.

O tradicional churrasco é bem-vindo na orgia gastronômica, mas sem botar banca de protagonista. A mesa farta que impressiona visitantes tem duas estampas principais: a da cantina italiana e a da refeição sem fim que são as dezenas de especialidades de um café colonial. Nas duas, vinho. Vinho com pão, salame, tortei, capeletti. Vinho com nata, cuca de côco, apfelstrudel, torta de limão.
serragaucha (3)

São dois núcleos turísticos na região formada por dezenas de municípios. Na chamada Região das Hortênsias estão Gramado, Canela e Nova Petrópolis. No Vale dos Vinhedos, as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa concentram as atrações. Como são roteiros próximos, a cerca de uma hora e meia de carro ou 100 km de distância um do outro, dá para conhecer os dois em poucos dias de viagem.

Há diferenças importantes, a começar pela paisagem. Na terra das vinícolas, as parreiras se carregam de cachos, verdes, roxos e rosados, de outubro a dezembro. No inverno, só aparecem os esqueletos da plantação. Na terra das hortênsias, estas plantas ornamentais vão colorir de azul, branco e rosa as estradas e jardins, a partir de outubro, durante meses, se a chuva comparecer.
serragaucha (4)
Hortênsias e Kikitos de chocolate

Surgem em alemão, alguns alertas para o turista. Nicht rauchen, por exemplo: não fume. Um singelo galpão será apresentado na placa como wagenschuppen. Os cardápios trazem opções de salzkartoffeln, eisbein e kartoffelküchelchen, respectivamente batata a vapor, joelho de porco e bolinho de batata. E o passeio vai ganhando em densidade, se não filosófica, pelo menos lingüística.

Em Gramado, a cultura dos descendentes de alemães se faz acompanhar dos colonos italianos e portugueses, entre outras imigrações de origem européia, mas para o turismo é o apelo alemão que sobressai. Ele está na arquitetura, no folclore, na gastronomia e mesmo na vegetação importada, como a que circunda o Lago Negro, referência à Floresta Negra alemã.

Talvez a obra de arte mais comovente, entre as movidas pelo desterro, seja a do museu do Minumundo, uma coleção de miniaturas iniciada por um pedreiro alemão que precisou emigrar, com a mulher, após a Segunda Guerra. Otto Hoppner ergueu pedaços da sua Europa perdida perto de casa: são miniaturas detalhadas de igrejas, castelos, ferrovias e prédios públicos, realizadas e conservadas com um carinho monumental.
serragaucha (5)

Estão lá, em cores, povoados por bonequinhos de plástico, construções históricas de Urach, Alsfeld, Lübeck (a cidade natal do escritor Thomas Mann), Lichtenstein, Freiburg, Leer, Michelstadt, Munique.

Até o espetacular Castelo de Neuschwanstein ganhou uma caprichada miniversão. A vaca que mexe a cabeça no vagão com feno tem o tamanho de um dedo mínimo, e ela ainda muge, fazendo coro aos sinos das igrejas. Há roupas no varal nas casas pequeninas. Otto Hoppner faleceu aos 74 anos, em 1986, e deixou para Gramado essa contribuição permanente ao clima de conto de fadas que toma conta da cidade, em eventos como o Festival de Cinema e o Natal Luz.

O Festival de Cinema existe desde 1973. Os moradores lembram de um ator de grande fama e pequena estatura que reunia grupos em torno de si para contar histórias, nas calçadas. Era o Grande Otelo! Mais recentemente, as celebridades da hora da indústria de TV e cinema aterrissam no Palácio dos Festivais para algumas horas de estadia. Dão autógrafo, fazem a foto no tapete vermelho. E não têm tempo para contar histórias.

O Natal Luz dura dois meses, de novembro a janeiro, e faz do verão outra alta temporada para a Serra Gaúcha. Por conta da iniciativa, o Parque Aldeia do Papai Noel passou a funcionar o ano inteiro, como as fábricas de chocolate da região. Na Região das Hortênsias, consome-se fondue suíço e chocolate quente em fevereiro, e decoração natalina em junho. E nos demais meses do ano também.

Vale dos vinhos, sucos e espumantes

Em Bento Gonçalves, a 670 m de altitude, o vinho movimenta as montanhas e a fé. A Igreja São Bento tem formato de pipa de vinho. O pórtico da cidade é uma pipa de 17 m de altura. Algumas caixas de lixo reciclável se parecem com barricas de vinho. Inclusive algumas vinícolas convidam à degustação dentro de barris centenários. E a linha turística de trem que liga Bento, Garibaldi e Carlos Barbosa também se chama Ferrovia do Vinho.

O divertido passeio de uma hora e meia na Maria Fumaça sintetiza uma das marcas da região, que é o entusiasmo da cultura italiana. Parece que as pessoas ficam alegres antes mesmo de começar a beber. Se em Gramado alguns sites de pousadas abrem com música clássica, na terra dos Tomasini, Bertarello, Cantelli, Ferri e Strapazzon a trilha sonora é outra, movida a tarantela, dança folclórica do sul da Itália. No passeio de trem sobram convites para beber, dançar, cantar, rir dos atores, tudo ao mesmo tempo, sem descer do vagão.

Principal produtora de vinhos e espumantes do país, a região do Vale dos Vinhedos obteve em 2007 o reconhecimento, pela União Européia, de seu Selo de Indicação de Procedência. O know-how é longo: a primeira cooperativa vinícola brasileira surgiu ali, nos anos 30.

Algumas casas abrem a colheita para visitação. Os colonos começam a trabalhar cedo. Ali por volta das 10 horas, fazem a pausa para o lanche: vinho, salame e queijo. No almoço, mais vinho. No jantar, de novo.

O Vale dos Vinhedos se faz conhecer por meio de degustações rápidas nas vinícolas, cursos de degustação e também nos passeios por construções centenárias, como os Caminhos de Pedra, que recupera a história da colonização do Brasil Imperial. A partir de 1875, foram demarcados 200 lotes de 48 hectares cada para as famílias de imigrantes italianos.

Muitos se instalaram provisoriamente em barracões onde entrava chuva e vento, e começaram a plantar sem ferramentas. Histórias da imigração são dramáticas no mundo inteiro, como as de refugiados de guerra.

Comentários