Ingleses


Mesmo sendo uma das praias preferidas pelos turistas, Ingleses mantém a tradição dos colonizadores açorianos. No verão, é o segundo balneário em concentração de turistas argentinos, perdendo apenas para Canasvieiras. No inverno, a pesca da tainha, as festas religiosas e as apresentações folclóricas são demonstrações da cultura manezinha.

00ingleses (4)

A praia é com certeza o principal ponto turístico do lugar. Com quase cinco quilômetros de extensão, a faixa estreita de areia é banhada pelo mar aberto, de águas azuis e com média ondulação. Na alta temporada a água apresenta temperatura média de 22ºC e garante um banho agradável. Nos dias mais agitados, as ondas não chegam a ser grandes, mas apresentam uma boa formação e os surfistas aproveitam. Nos meses mais frios, cardumes de peixes que sobem o litoral procurando águas mais quentes que as do Rio Grande do Sul para desovar fazem da pesca a principal atividade dos moradores de Ingleses.

 00ingleses (1)

As dunas que separam Ingleses de Santinho são outro atrativo natural imperdível. Ali é praticado o sandboard, esporte criado em Florianópolis que consiste em descer as dunas em uma prancha, fazendo manobras ou não. Para praticar, basta ter equlíbrio e alugar uma prancha. Quem quiser fazer um passeio diferente pode atravessar andando os pouco mais de quatro quilômetros de dunas. Só não pode se esquecer de levar garrafa de água para se hidratar.

00ingleses (3)

Em matéria de infra-estrutura, Ingleses oferece várias opções em hospedagem e alimentação. O setor de serviços também é um ponto forte. Na maioria dos estabelecimentos é possível contar com atendentes que falam espanhol.

A cultura da colonização açoriana presta, assim, seus respeitos ao cotidiano francês, ao norte e ao sul. Ao sul está a praia do Campeche, cuja principal avenida, a Pequeno Príncipe, homenageia o escritor Antoine de Saint-Exupéry, que entre outras proezas fixou a rota aérea para a Patagônia. Em 1931, quando era chefe da empresa Aeropostale em Buenos Aires, Saint-Exupéry aterrissou no Campeche. O livro “O Pequeno Príncipe” inclusive levanta a bola dos moradores de Florianópolis: os acendedores de lampiões são os pescadores que, preocupados com aquela máquina voadora, faziam trilhas de luzes para que o aviador encontrasse a pista de pouso.

Já faz algumas décadas, portanto, que o sul da Ilha é um lugar especial, generoso com os forasteiros. É mais pacato, mais rústico, quase uma zona rural, com rebanhos pastando e tudo, com mar frio por perto. As melhores trilhas partem ou passam por Pântano do Sul, famosa pelo Bar do Arante, que coleciona milhares de bilhetinhos pendurados no teto e nas paredes. São impressões de várias épocas, de visitantes do Brasil e do mundo, sobre as paisagens, as comidas, as bebidas, os nativos do litoral, que está entre os privilegiados do país.

Tente reservar uma semana para Florianópolis, pelo menos, se está indo pela primeira vez. Só os passeios de barco para as fortalezas coloniais e para a Ilha do Campeche tomam um dia inteiro cada. Não esqueça que o Sul não é o Nordeste: faz calor só na primavera e no verão, a partir de setembro ou outubro, até março ou começo de abril. E volte: para o bistrô predileto, para a nova pista de dança, para aprender canoagem ou windsurfe na Lagoa. O mapa impresso de Florianópolis, com seus relevos, reentrâncias e enseadas, já é digno de pendurar na parede. Ver o mapa ao vivo merece estouro de rolha de espumante.

Comentários